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ARTIGO
ADRIANO AUGUSTO FIDALGO
Adriano Augusto Fidalgo
Advogado Sênior da Fidalgo Advocacia. Professor Universitário. Mestre em Educação.
O anel de Giges, o Senhor dos Anéis, a Mulher Invisível, a Banca Capital Inicial e a Super Vigilância

*** Uma singela homenagem ao Professor Marcos Antônio Lorieri (Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Eu creio que ele teve enorme participação na minha admissão no Mestrado e tive a honra de aprender com ele também na minha banca.

 

Introdução. Em que esses vários temas podem se relacionar, o leitor mais curioso se perguntará e ficará intrigado. Eu vou discorrer sobre cada subtema aqui abordado para buscar um arremate satisfatório ao final.

 

1) O ANEL DE GIGES. Breve passagem, conforme portal Filosofia na Escola (Disponível em: https://filosofianaescola.com/textos-de-filosofia/o-anel-de-giges/. Acesso em: 07.Mar.2021):

“Giges era um pastor a serviço do rei de Lídia. Houve uma grande tempestade e um terremoto fez uma abertura na terra no lugar onde ele estava alimentando seu rebanho. Espantado com a visão, desceu até a abertura, onde, entre outras maravilhas, viu um cavalo oco de bronze, com portas. Giges então se agachou e viu o corpo de um homem com apenas um anel de ouro no dedo. Ele pegou o anel e voltou para a superfície.

Com esse anel no dedo, foi assistir à assembléia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel para o interior da mão; imediatamente se tomou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tomou-se visível. Logo em seguida repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio: virando o engaste para dentro, tomava-se invisível; para fora, visível. Assim que teve certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam conversar com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder.”

 

2) O SENHOR DOS ANÉIS. Um dos filmes que mais gosto, assim sintetizado pelo site do Adoro Cinema (Disponível em: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-27070/. Acesso em: 07.Mar.2021):

“Numa terra fantástica e única, chamada Terra-Média, um hobbit (seres de estatura entre 80 cm e 1,20 m, com pés peludos e bochechas um pouco avermelhadas) recebe de presente de seu tio o Um Anel, um anel mágico e maligno que precisa ser destruído antes que caia nas mãos do mal. Para isso o hobbit Frodo (Elijah Woods) terá um caminho árduo pela frente, onde encontrará perigo, medo e personagens bizarros. Ao seu lado para o cumprimento desta jornada aos poucos ele poderá contar com outros hobbits, um elfo, um anão, dois humanos e um mago, totalizando 9 pessoas que formarão a Sociedade do Anel.”

 

3) MULHER INVISÍVEL. Conforme explicitado no portal Segredos do Mundo R7, traçando o perfil da heroína (Disponível em: https://segredosdomundo.r7.com/mulher-invisivel-marvel/. Acesso em: 07.Mar.2021):

“A Mulher Invisível é o alter-ego de Susan Richards, ou simplesmente Sue. Ela faz parte da grande equipe de heróis da Marvel Comics, o Quarteto Fantástico. Sobretudo, é uma das maiores personagens da Casa das Idéias.

Jéssica Alba foi quem deu vida a Mulher Invisível nos cinemas (Quarteto Fantástico, 2005, e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, 2007), pela primeira vez. Em seguida, Kate Mara assumiu o papel na segunda tentativa de franquia no cinema (Quarteto Fantástico, 2015).

Primeiramente, Susan era uma mulher normal, até sofrer uma exposição intensa à radiação cósmica. Deste momento em diante, junto aos outros integrantes da equipe (que também são uma família) passou a ter a capacidade de se tornar invisível.”

 

4) BANDA CAPITAL INICIAL. A banda Capital Inicial aborda em sua música Quatro Vezes Você, segundo o portal Vagalume (Disponível em: https://www.vagalume.com.br/capital-inicial/quatro-vezes-voce.html. Acesso em: 07.Mar.2021):

“O que você faz quando

Ninguém te vê fazendo

Ou que você queria fazer

Se ninguém pudesse te ver”

 

5) INVISIBILIDADE. Pelo Anel de Giges, Platão, em A República expos como a conduta humana está muito atrelada ao pensamento alheio, aos julgamentos dos outros, de modo que o supremo bem seria atingido por aquele que consegue agir eticamente, ainda que os seus atos não sejam vistos. Dizem que o “Um Anel”, do filme O Senhor dos Anéis, foi inspirado no anel anteriormente citado, de modo que tanto na trilogia “O Senhor dos Anéis”, como na trilogia “O Hobbit”, respectivamente, tanto Frodo Bolseiro, como o seu tio Bilbo Boseiro são colocadas em situações em que a invisibilidade pode ser útil, porém lhes atrai para o mal, cada vez que o poder de ficar invisível é acionado.

Quando questionados sobre os poderes que gostaríamos de ter se fossemos super heróis muitos dizem que gostariam de ser invisíveis. Esse o poder Sue, a mulher invisível, que, como heroína invariavelmente o utiliza para o combate ao mal.

Já a música do Capital Inicial acaba abardando todo esse dilema moral e ético, demonstrando que erramos nas nossas fragilidades humanas sendo observados ou não, indagando o que poderíamos fazer nessa certeza de não sermos vistos, ou seja, sem responsabilização por nossos atos.

 

6) TECNOLOGIA E INTIMIDADE E PRIVACIDADE. Ora, com o avanço da tecnologia a super vigilância é uma realidade, câmeras em todos os lugares, empregados vigiados pelos empregadores, pais vigiando os filhos, Estados espionando Estados, o celular monitorando todos os nossos passos, as empresas de tecnologia nos monitorando pelas nossas conexões ou os registros de geolocalização constantes em nossos fotos, pelas compras que fazemos, pelos aplicativos de sendo esses apenas alguns exemplos.

Com isso, quais os limites das nossas intimidades e privacidades? Até que ponto também patrocinamos uma superexposição dizendo dos nossos gostos, os lugares onde frequentamos, as pessoas com as quais vivemos nas redes sociais.

Em época de Pandemia estar aglomerados não pega bem, o que gera julgamos pelos diversos pontos de vistas, ainda mais considerando o maior ou menor sofrimento pelo qual passa o observador. Isso se vê exposto, em várias oportunidades, nas contas digitais de cada qual, apenas para demonstrar como é as exaustiva vigilância funciona, com o Estado querendo tais informações em homenagem ao bem comum.

 

7) CONSIDERAÇÕES FINAIS. Assim se nota na sociedade da informação que a invisibilidade é cada vez mais rara e desejada por alguns. Estar ou não nas redes é um dilema constante. Em poucas hipóteses teremos a nossa intimidade ou privacidade totalmente preservadas. Vemos a ocorrência de uma sociedade toda vigiada como anteviu George Orwell, no chamado Big Brother. Foucault também observou essa vigilância com o intento de controle estatal.

Desta forma, se não há a certeza absoluta dos momentos em que estamos ou não sendo vigiados, já que os nossos celulares podem capturar áudios, vídeos e imagens (se invadido, nas duas últimas hipóteses), mesmo sem autorização, por vezes.

Concorda-se nesse sentido com Kant (MARTINELLI, Neiva da Silva. Disponível em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-moral-dever-kant.htm. Acesso em: 07.Mar.2021):

“O imperativo categórico em Kant é uma forma a priori, pura, independente do útil ou prejudicial. É uma escolha voluntária racional, por finalidade e não causalidade. Superam-se os interesses e impõe-se o ser moral, o dever. O dever é o princípio supremo de toda a moralidade (moral deontológica). Dessa forma uma ação é certa quando realizada por um sentimento de dever. A razão é a condição a priori da vontade, por isso independe da experiência.”

Enfim, escolher fazer a coisa certa independentemente da invisibilidade ou não é sempre uma escolha moral e ética, de dever de fazer a coisa certa.

 

ADRIANO AUGUSTO FIDALGO. Advogado Sênior da Fidalgo Advocacia. Mestre em Educação na linha de pesquisa: Educação, Filosofia e Formação Humana. Presidente da Comissão de Direito Digital da OAB/Santana. Coordenador Acadêmico Jurídico da RENNEE – Rede de Negócios, Network, Ética e Estudos. Membro das Comissões de Direito Direito Civil e OAB Vai à Escola Digital da OAB/Santana. Membro da Digital Law Academy e da Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados. Futebolista Amador Sênior que ainda faz uns gols. Praticante de “gritoterapia”, nos raros videokês.

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