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ARTIGO
ADRIANO AUGUSTO FIDALGO
Adriano Augusto Fidalgo
Advogado Sênior da Fidalgo Advocacia. Professor Universitário. Mestre em Educação.
Segurança digital e o golpe do motoboy

Vivemos em um mundo de ascensão do uso e de busca incessante pelo conforto tecnológico. Praticamente tudo está ao nosso alcance por meio de alguns “clicks” e cadastros. Neste grande turbilhão de diárias e novas possibilidades que ainda estamos nos acostumando é comum sermos bombardeados por telefonemas ou notificações de ofertas, faturas de cartão, atualização de redes sociais e entre outros. Tudo parece girar em torno de nós e de buscar nosso conforto e segurança, afinal de contas, tudo que recebemos, vem com nosso nome e algumas vezes informações adicionais que nós mesmos já fornecemos anteriormente. Afinal, os dados são o novo petróleo não? E o seu vazamento gera danos tão terríveis quanto os danos ambientais!

Diante de tanta facilidade e estarmos a cada dia mais habituados com a integração da nossa vida na internet, nas redes sociais e com os aplicativos (WhatsApp, Uber, Waze e para alguns Tinder e etc.) em algum momento nós baixamos a guarda e esquecemos que com toda essa utilização dos sistemas deixamos à mostra informações pessoais importantíssimas que pensaríamos muitas vezes antes de repassar a alguém ou alguma instituição que nos solicitasse no mundo físico, de modo presencial.

O fato é que, nossos dados que pairam no mundo digital podem acabar sendo utilizados contra nós, facilitando a criação de novos tipos de golpe que vieram com a criação das novas tecnologias. Não é incomum, conhecermos alguém, ter algum parente, amigo, ou já termos ouvido histórias de golpes pela internet (entrega de comida, maquineta adulterada, link falso, prêmio inexistente, clonagem do WhatsApp e outras modalidades). Absolutamente todos nós, podemos ser alvos, como por exemplo, do crescente ´´GOLPE  DO MOTOBOY´´. Por toda nossa confiança nas redes, da falta de atenção ou por comodidade mesmo, a cada dia mais as pessoas entregam os seus dados e o seu próprio cartão para os golpistas, quadrilhas especializadas em tais fraudes.

Estes, já com a vítima em linha telefônica, se fazendo passar por um agente de sua instituição financeira consegue a senha e a chave de segurança do cartão, justificando que o cartão do cliente foi clonado, de modo que, a vítima entrega o seu cartão para um motoboy que, supostamente, foi até a sua residência buscar o cartão clonado para que seja enviado para uma perícia, desta maneira, os criminosos têm todas as informações do cliente para realizar movimentações bancárias.

Sem contar o uso de aparelhos para capturar senhas pelo telefone, a interceptação telefônica, a música de fundo idêntica e todo o modus operandi similar ao da instituição financeira, ou seja, tudo bem planejado e utilizado para ludibriar o consumidor, de modo que este tem a certeza inabalável, naquele momento, de que está falando com um funcionário do banco. Frise-se, além dos próprios dados pessoais que eles já têm da vítima, como o número do cartão de crédito, além de demais dados que deveriam ter sido melhor protegidos pelo sigilo bancário.

Para se evitar qualquer dor de cabeça com golpistas e também no meio jurídico com processos longos ou que dependam da “interpretação” muito aberta dada à um julgador, vale a velha máxima da sabedoria popular, ou seja: “é melhor prevenir do que remediar”; pois devemos tratar o mundo cibernético com as mesmas (ou superiores) cautelas que atribuímos ano mundo físico e desconfiar de tudo.

Em primeiro lugar, nossos dados pessoais devem ser inseridos em plataformas com muito cuidado e, de preferência, apenas nas mais essenciais, no mesmo sentido da nova Lei Geral de Proteção de Dados que detalha o uso específico daqueles dados apenas no que seja imprescindível a sua utilização. Mesmo que todos os ambientes digitais que você frequente mostrem ou tentem te convencer que tem sistema de segurança e que ele é bom, cumpre lembrar que com a crescente evolução tecnológica até os sistemas mais seguros podem ser invadidos, valendo lembrar que se a Nasa, o Pentágono e outras grandes corporações já foram invadidas, então, porque você não poderia ser?

Vale constar que nem todos têm conhecimento e habilidade com a internet que está a cada dia mais acessível e com as demais tecnologias reinantes, como algoritmos, big data, aplicativos, drones, geolocalizadores, smartphones cada vez mais complexos e centralizadores de serviços e dados.

São exemplos de usuários que podem contribuir como vítimas para tais golpes, mesmo não sendo uma regra exatada, pessoas com poucas habilidades com tecnologia, os idosos sem desenvoltura tecnológica e as crianças que talvez possam utilizar o aparelho dos responsáveis para entretenimento. Por isso, em face de eventuais vulnerabilidades esses devem ser protegidos por seus amigos e familiares.

Esse golpe do motoboy, pelos relatos da mídia e informações colhidas em processos podem ocorrer com qualquer tipo de profissional ou em qualquer faixa etária, nível intelectual ou classe social. Devemos sempre estar atentos e dividir esses cuidados com os nossos próximos, distribuindo essas informações. Afinal, a bandidagem sempre está mirando no novo golpe, com o chamado efeito surpresa.

Por fim, cabe consignar que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo já vem condenando os bancos a ressarcirem os consumidores. Portanto, se foi vítima procure um advogado especializado.

 

MAURICIO GABRIEL BURANI. Gerente de Vendas, atuando a mais de onze anos no varejo. Estudante do 3º semestre de Direito na Universidade 9 de julho.

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