Artigos
Elói Maia
Educação e política
A derrota do projeto de educação de Geraldo Alckmin: A (des) reorganização
Nessas últimas semanas vivenciamos um dos maiores embates da educação, a chamada: (des) reorganização escolar. A tal proposta tinha como objetivo fechar 94 escolas e separar os alunos pelos ciclos de estudo da educação básica, ou seja, estudantes de uma mesma faixa etária, justificando assim um melhor desempenho educacional.
 
Ora, se realmente visasse um melhora no desempenho escolar do estudante, por que os alunos não apoiariam e comprariam a ideia de tal projeto? Simples. Porque não há veracidade alguma desse modelo de rendimento, porque o projeto foi uma postura imposta, verticalizada, sem diálogo com a comunidade (e por comunidade entende-se por pais, alunos e professores, sim, professores, ora, como não discutir sobre educação e desempenho se não como os mesmos que estão dia a dia com o alunado?).
 
O pronunciamento unilateral do (ex) secretário da educação, Herman Voorwald, afirmando ter ocorrido um diálogo com as escolas sobre a reorganização, mostra a hipocrisia de um governo autoritário e antidemocrático, pois nenhum diálogo ocorreu e as manifestações dos estudantes são provas disso.
 
Os alunos secundaristas mostraram a força surpreendente de que são eles os protagonistas da educação. A luta pelos seus direitos e apoio dos pais desses estudantes demonstrou a força da democracia.
 
Opa! Mexeu com os pais, mexeu com os meus votos. A popularidade do Governador começa a cair.
 
Isso sem contar a ação truculenta e ditatorial dos policiais frente a essas ocupações/manifestações, um despreparo TAMANHO para agir e se posicionar. Durante essas semanas que se passaram assistimos um cenário de horror de estudantes lutando por direitos e a polícia agindo como marionetes no Governo. Nesse contexto, o nosso “querido” Governador não viu outra saída a não ser retroceder.
 
Os estudantes contra ele. Os pais contra ele. Os professores (sempre) contra ele. A mídia então aproveitou todo o ensejo para vender o seu, que não gosta de assistir um melodrama político? Ah, e quem bom político não treme diante da mídia?
 
Sim, houve uma vitória, aquela de um projeto que em NADA visava à melhora do desempenho educacional, mas sim o corte de gastos, a continuação da precarização dos professores, a não contratação de novos professores, o fechamento de escolas e a superlotação de salas de aula. Essa luta ficará para a história da educação do Estado de São Paulo. Não vencemos a guerra, mas sim uma batalha. Não vamos baixar a guarda, fiquemos atento, golpes ocorrem do dia para à noite, um novo ataque pode vir a toda hora a qualquer momento.
Perfil

Elói Maia é professor, 24 anos, reside em Marília/SP, licenciado e bacharel em filosofia pela UNESP, licenciado em pedagogia, mestrando em filosofia pela UNESP. Leciona na Rede Estadual de Ensino Básico do Estado de São Paulo e Professor de Ensino Superior de duas Faculdades.
Desenvolve sua pesquisa em torno de assuntos de Política, Religião, Educação, Ética social e assuntos cotidianos que preocupam a sociedade no dia a dia.

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