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ARTIGO
ELóI MAIA DE OLIVEIRA
Elói Maia de Oliveira
Doutorando em Educação; Mestre em Filosofia; Licenciado em Filosofia e Pedagogia. Professor da rede pública do Estado de São Paulo e Professor universitário.
Pandemia e a Educação: O caos da EAD

Não é de hoje que tem se comentado sobre a necessidade da inovação e mudanças do ensino e da instituição escolar. Metodologias tradicionais, escolas sem estruturas e alunos totalmente diferentes daquelas gerações que os professores foram formados. Há infelizmente um grande abismo entre professores e alunos que os separam devido a: idade, condições financeiras, visões de mundo e formas de aprender. E não que esse abismo seja um aspecto de todo o negativo (tirando apenas o fato da condição financeira), mas há muitos professores que realmente se preocupam em diminuir esse espaço entre eles e os alunos, porém se esbarram outros fatores externos que fogem da competência única e exclusiva do professor.

Com essa nova modalidade de ensino, a EAD, estamos diante de um caos ainda maior.
Primeiro, porquê como dito acima, as condições financeiras de muitos alunos (tirando os de escola particular e que aparentemente apresentam ter uma condição financeira melhor) não são suficientes para ter um celular bom com uma internet boa a ponto de acompanhar as aulas ao vivo, realizar as atividades e entregas de trabalhos dos professores.

Segundo, que mesmo com a possibilidade de participação das aulas e entrega de atividades, o ensino pode estar acontecendo, mas e aprendizagem? No processo de ensino aprendizagem vários fatores são colocados para que ocorra de forma substancial esse processo. Como reconhecer realmente o aprendizado do aluno?

Terceiro, os professores, salvo alguns que tem uma disposição maior para as tecnologias e mesmo assim fazendo de modo sacrificado, estão exaustos tendo que lidar com o novo sem preparo ou instrumento suficiente para tal empreitada que o isolamento nos obrigou a viver. Mais de 60% dos professores da rede pública do Estado de São Paulo tem acima de 40 anos, que revela uma formação aos moldes mais tradicionais e com pouco contato com as ferramentas tecnológicas. Logo, se o próprio ensino, vide formação e ferramentas do professor está prejudicado, imagine o processo de aprendizagem do aluno.

Por fim, estamos vivendo um extremo, no qual ninguém estava preparado para tal situação. Isso nos mostra como ainda estamos deficientes frente as tecnologias. Como as relações de ensino aprendizagem precisarão mudar de forma urgente. Como políticas públicas serão necessárias para suprir essa desigualdade social que permite milhares de alunos a não terem acesso ao mínimo de conteúdo possível. Quando voltarmos, não podemos voltar a normalidade, pois a normalidade já era um problema e que essa pandemia só fez ressaltar a crise da Educação que já estávamos vivendo.

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