Pela primeira vez na história o tema sustentabilidade atinge o topo das discussões, em suas diversas áreas e dimensões, exercendo influência ecológica, econômica, social, territorial, cultural, política, jurídica, ética, psicológica e tecnológica. Conquistando um representativo engajamento de consumidores e grandes marcas, propõe uma nova maneira de viver e de conviver, uma nova mentalidade, uma reconfiguração da vida humana.

Claramente, o cerne dos problemas a serem combatidos estão nas atitudes empresariais, governamentais e em nossos consumos diários. Para atingirmos grandes mudanças é necessário compreender como a sustentabilidade está em praticamente todas as relações humanas e em diversas áreas da sociedade. Desde a conscientização sobre como agir em busca da preservação do planeta, à garantia de condições humanas de existência para todos.

Sustentabilidade é o Zeitgeist do momento, palavra alemã que remete à mudança na concepção dominante cultural, moral e intelectual da nossa época ou, simplesmente, o "espírito do tempo". Conceito que nos ajuda a entender as tendências contemporâneas para estabelecer conexões com os consumidores, guiando as atividades das empresas no relacionamento com os clientes.

Um dos clássicos exemplos de empresas que se perdem no tempo é a quebra da Kodak. A falta de adaptação às mudanças, o não entendimento social e psicológico do momento, a falta de comunicação com os consumidores. Foi a maior empresa de fotografia do mundo, em 1970, lucrava bilhões, possuía 90% das vendas de filmes fotográficos e 85% do comércio de câmeras nos Estados Unidos. Declarou falência, em 2012, por enxergar tarde demais a ascensão do mundo digital.

Entender como se adaptar às mudanças é garantir um crescimento sustentável. Cada setor tem o seu próprio Zeitgeist e trazer esse conhecimento para dentro da empresa é tão importante para marca quanto para os negócios. Novos comportamentos e um novo pensamento coletivo estão se formando devido às transformações psicológicas, sociais e econômicas que chegaram com a pandemia. O isolamento social provocou vulnerabilidade, o despertar de dúvidas e novas aspirações. O consumo passa por incertezas, a queda econômica interrompe a cadeia de diversas indústrias impactando, inclusive, as grandes marcas.

Alguns fatores reforçam a tendência da ascensão da era da sustentabilidade. O crescimento dos fundos de investimento baseados no conceito ESG (Environment, Social and Governance) e a valorização de negócios responsáveis com o ambiente, a sociedade e a própria gestão. Afinal, um dos papéis do investidor é cobrar transparência das empresas investidas para diminuir os impactos climáticos. A pressão dos millennials e das gerações X, Y e Z, que querem trabalhar, investir e comprar de empresas sustentáveis. A troca de poder dos gestores de mentalidades do século 20 para líderes com valores do século 21.  

Seguir um caminho assertivo no impulsionamento dos negócios é entender o espírito do tempo, antecipar tendências de mercado, cenários, ouvir os consumidores, ouvir a nova geração, identificar os padrões de consumo fazendo uso de novas tecnologias.

Em meio a tanta turbulência, é notável o crescimento de empresas que entenderam a nova atmosfera, o zeitgeist do momento, a relevância que a atenção real aos aspectos sociais e sustentáveis possuem para quem compra. 

Ano a ano, o consumo tem apresentado fortes tendências de mudanças. Em 2008 a Tesla lançou seu primeiro carro elétrico e vendeu 2,5 mil unidades até 2012 por um preço altíssimo. Mais de 10 anos depois, o Tesla Model 3 passou a sustentar um em cada 4 carros elétricos vendidos no mundo. Em 2016 a Adidas lançou um tênis confeccionado com plásticos retirados dos oceanos. Vendeu somente 50 unidades. Três anos depois, em 2019, registrou a venda de 11 milhões de pares. Uma das metas da Ambev, a maior cervejaria do mundo, é eliminar toda a poluição do plástico consumido nas suas embalagens até 2025. 

A sustentabilidade é uma das maiores forças do mundo contemporâneo, relacionada à busca pelo real, a preocupação com as condições atuais do planeta e a consciência em vários aspectos da vida.

2020 foi o ano em que mais se vendeu carros elétricos na história, chegando a 2,3 milhões de unidades. Na Noruega quase 75% dos carros vendidos eram elétricos. Na Islândia, 45%, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

A Ford venderá somente carros elétricos na Europa a partir do fim desta década. Está investindo US$ 1 bilhão em sua fábrica na Alemanha para a conversão dos métodos de produção. A sueca Volvo colocou a mesma meta para sua linha europeia. A GM investirá US$ 27 bilhões no desenvolvimento e fabricação de carros elétricos e autônomos até 2025. A meta da Volkswagen é vender 1 milhão de carros elétricos só este ano e vai construir seis gigafábricas na Europa.

As leis restritivas de emissões que devem entrar em vigor na Europa, em breve, motivaram essas estratégias. A Noruega deve banir a venda de carros a combustão a partir de 2025, a França até 2040 e a China, a partir de 2035 venderá exclusivamente carros elétricos.

Para 2021 a Adidas e Nike anunciaram novas linhas de produtos com pegada sustentável a partir de materiais não convencionais. Adidas anunciou o lançamento de uma linha de calçados feitos a partir de couro de cogumelo. Em dezembro passado, o tênis campeão de vendas da Nike foi o Air Force 1, construído em uma base de cânhamo, planta da mesma família da maconha.  

Não há mais diferenças entre estratégias de negócios e estratégias de sustentabilidade, a integração das duas é imprescindível. Entre tantas dificuldades dos setores organizacionais, o desafio está em levar essa narrativa até o consumidor. Envolta em sua complexidade, ela exige comunicação, storytelling, amplitude de conhecimento, esclarecimento, para a obtenção de uma conscientização mais ampla e profunda. Uma prática que exige mudanças de hábitos, de mentalidade, com coerência e aplicações reais, transformando o discurso em realidade.

A publicidade, o marketing e a comunicação possuem um papel fundamental para que essa mudança aconteça, no apoio à empresas e organizações, promovendo o consumo pensado. O dinamismo do tempo é mais intenso a cada dia, por isso é tão importante mapear, comparar e analisar as mudanças da sua área de negócio, do seu público-alvo.

A adoção de novos hábitos é necessária para garantir a continuidade da vida, da sociedade humana e das atividades econômicas. As empresas têm a oportunidade de fazer escolhas que gerem impactos positivos em todas as dimensões da sustentabilidade: ecológica, econômica, social, territorial, cultural, política, jurídica, ética, psicológica e tecnológica. Para que a mudança aconteça de verdade é preciso consumir conscientemente e incentivar o consumo inteligente, ASAP - As Sustainable As Possible, As Soon As Possible

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